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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Hélio, de novo?

 


Tradicional vereador do grupo Boca Preta (Gravatinha) e aliado de Jânio Arruda, o vereador Hélio de Novo entrou também na onda de contestação de uma nova candidatura do ex- prefeito agora em outubro vindouro. Mais um dissabor para Jânio, além da perda dos Cumaru de Gravatá do Ibiapina. Naturalmente que Jânio “descascou” Hélio em seu programa vespertino dos sábados, cuidando de lembrar o que teria feito pelo vereador para receber em troca sua partida para um novo grupo político. Os divórcios, mesmo políticos, são sempre um momento para se drenar a bílis da frustração de uma perda. Mas eis que o vereador pouco tempo passou no novo romance político, que não ficou publicamente conhecido, e voltou para os braços do antigo aliado, Jânio, o qual, imediatamente arquivou o que havia proferido nas tardes radiofônicas dos sábados. O amor é assim, passional, transforma-se instantaneamente, basta que os olhares se encontrem e queiram se encontrar.


Agora, com o ataque especulativo à pré-candidatura de Jânio, Hélio, de novo, bate as asas e voa para outros pomares políticos, ou melhor, para o sítio eleitoral do pré-candidato Jobson da Internet, imprimindo no coração da velha raposa boca preta um novo revés pré-eleitoral, justamente no momento em que Jânio mais precisa mostrar densidade eleitoral, frustrando aqueles que sonham com sua desistência, para amealhar seu incontestável butim de votos. Sempre, claro, contestando sua idade e as seguidas vezes que perdeu para o adversário Calabar. Poderiam dar uma caiada no assédio a Jânio, uma vez que, se fosse por idade, Lula não estaria no comando de um dos países mais importantes do mundo, e Biden presidindo a nação mais poderosa do planeta. Talvez a falta de tato seja fruto da inexperiência. Esse movimento de desconstrução das bases políticas do ex-prefeito, até o momento, não está tendo o efeito desejado, porque não se ouvem vozes que cogitem uma desistência dele, pelo contrário, parecem sepultar definitivamente a possibilidade de um candidato única no tradicional grupo adversário dos atuais ocupantes do palácio municipal.

Jânio sabe, porém, que não foram amores que fizeram Hélio partir, e sim, cálculos eleitorais e até uma “tocaia” política. Com Jobson, Hélio navega sozinho nas urnas, sem concorrência de outro pré-candidato com mandato, ou seja, será o tubarão da chapa proporcional, enquanto os camurins fazem o trabalho de busca do voto. È pule de dez a reeleição do vereador, ou seja, pensou grande, pensou nele e, de quebra, fica nas “entoca” de olho na cadeira de quem pensou pequeno, na eventualidade de algum óbice jurídico, não muito improvável. Mas Jânio sabe também que é “dono” de um invejável patrimônio, a notável votação de 2020, que não interrompeu seu calvário nas urnas, mas fez o adversário suar a camisa e subir a serra com um aperto no coração, como se previsse o fim do reinado. E é esse patrimônio que dá confiança ao ex-prefeito e lhe serve como argumento para segurar o grupo que no momento lhe segue, e que é alvo, não do adversário de sempre, mas de um dissidente que menosprezou sua capacidade, mas está aí tentando lhe arrancar o baú eleitoral.

O resultado de uma eleição que consagra um candidato é a maioria nas urnas e em cima do adversário de sempre, mas há insucesso que termina sendo honroso. A chapa do ex-prefeito Jânio elegerá, certamente, dois vereadores, e esse deve ter sido o cálculo de Hélio. Seus concorrentes, Jobson e Gena, têm o desafio de superar o ex-prefeito, pois ficaria muito feio um candidato menosprezado e “sem dinheiro” ganhar de duas máquinas poderosas em apoios políticos e estrutura de campanha. Finalmente, um adendo. È fato que uma candidatura não pode prescindir de um vice de Pão de Açúcar, por isso, duas pré-candidaturas cuidaram de atender a esse imperativo. Jânio certamente o fará. Jobson já está feliz demais por Evilásio pensar pequeno e aceitar ser o sub, mas tem a questão geográfica a ser resolvida, principalmente porque, dizem as más línguas, o Obama do Agreste só poderia passar na terra da camisaria de helicóptero. Dessa forma, Hélio, de novo, está ali, onde dorme a coruja, “agourando” um acidente de percurso, para fechar a equação. Como nada é perfeito, Jobson precisaria explicar ao eleitorado que decide quem toma posse, por que Pão de Açúcar não pode ser uma cidade.

Gisonaldo Grangeiro, "cearense" de Pernambuco, agrestino do Polo, professor efetivo da Rede Estadual de Educação do Estado do Ceará e da Rede Municipal de Educação de Fortaleza.

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