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domingo, 17 de março de 2024

Da Fonte X Fábio Aragão: vão-se os anéis e os dedos também

 

Depois de levar uma voadora política do deputado Diogo Morais, quando este fez a ponte entre o prefeito Fábio Aragão e o deputado Felipe Carreras, que resultou num Rio Capibaribe de emendas orçamentárias para Santa Cruz, culminando agora com o anúncio de um instituto federal para a capital da confecção, o deputado Eduardo da Fonte começou a emitir sinais de sua ira com os “primos”, a quem associou a dois contundentes implementos agrícolas. Chegou até, como se sabe, a envolver já falecido pai do prefeito nos grupos de watts da região.


Imediatamente, também, Da Fonte passou a se articular politicamente com grupos políticos e personagens para criar uma frente capaz de melar a reeleição de quem chamou de “falso profeta”. Para dar uma ideia de sua predisposição para a batalha, afirmou: “o partido que receber Fábio Aragão, o PP não coligará em nenhuma cidade de Pernambuco”. Logo, a demora do novo rumo político do prefeito Fábio foi vista como uma dificuldade decorrente da afirmação do deputado, já que as possíveis alternativas estavam todas no raio de influência da governadora Raquel Lyra, de quem Da Fonte não só é aliado, como controla uma grande bancada do PP na ALEPE, território minado para a governadora, da qual ela não pode abrir mão.

Considerando o teor da declaração vetando alianças, seria natural imaginar que o deputado interferisse junto à governadora para dificultar o caminho partidário do prefeito. Por isso que a indefinição dele alimentou especulações, supondo que Fábio não teria legenda para concorrer, pelo menos naquelas que se alinham politicamente com a governadora. Falou-se na possibilidade de um desembarque no Republicanos ou na federação PT-Partido Verde-PCdoB. O certo é que o rumo indicaria também a proximidade ou distanciamento com Raquel Lyra.

Mas o mistério acabou e até surpreendeu a opção pelo PSD. Ficou cristalino, também, que a articulação passou pela governadora, afinal, o chefe do PSD é aliado muito próximo dela, que, inclusive, era especulada nessa agremiação política. Não se tem mais dúvidas sobre quem Raquel Lyra vai apoiar em Santa Cruz. O curioso é que, ao alojar o prefeito Fábio, outra fauna política terá de migrar para outras fronteiras partidárias, o grupo Verde, que, com o 55 que agora é de Fábio, quase impede a vitória dele em 2020. Prevaleceu para a governadora o pragmatismo político e a aposta na candidatura favorita, ignorando quem, em 2022, apostou em sua desacreditada postulação do governo estadual. Com Fábio na boleia da “van” do PSD, os Verdes não podem mais sequer disputar uma foto com ela como papagaio de pirata, conforme fizeram naquela visita à Santa Cruz no ano passado.

Então, se pergunta: a governadora ignorou a ameaça do deputado Eduardo da Fonte? Ou nos bastidores deixou-o ciente das tratativas para a filiação do prefeito Fábio ao PSD? Como o deputado vai manter seu PP na coligação de Raquel, convivendo com o partido do prefeito, sem descumprir sua fala sobre coligações? Ou Da Fonte pega seu banquinho e sai de mansinho rumo ao terreiro do PSB? Lembrando que, até agora, as articulações do deputado federal têm dividido a oposição e, naturalmente, desenham um cenário de reeleição do prefeito Fábio, o que se tornará também uma derrota pessoal do chefão do PP.

Eduardo da Fonte perdeu uma importante base eleitoral, está vendo o novo aliado do prefeito, Felipe Carreras, nadar de braçadas na conquista de recursos para a prefeitura, vai digerir agora a filiação do prefeito ao PSD, com quem o PP terá de coligar em 2026 e, se efetivamente a oposição chegar dividida em outubro, terá de contemplar o bis do prefeito. Muito revés para o poderoso deputado que há quatro anos atrás triturava as lideranças locais do PSB, para impor a candidatura que agora é motivo de suas agruras políticas. Ao ser questionado, na época, se o PSB poderia não ter Helinho Aragão como candidato a prefeito, o deputado Diogo respondia ser uma “perua”. A promessa do deputado da fonte de não se coligar com o partido do prefeito Fábio, é perua ou pintinho? A conferir.

Gisonaldo Grangeiro, "cearense" de Pernambuco, agrestino do Polo, professor efetivo da Rede Estadual de Educação do Estado do Ceará e da Rede Municipal de Educação de Fortaleza.

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