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domingo, 14 de abril de 2024

Jânio pensou grande, Evilásio pensou pequeno, Jobson pensou minúsculo

 

Imagine uma partida de futebol em que "olheiros" de times grandes ou até mesmo o técnico de uma seleção estão presentes para observar jogadores, potenciais craques para uma possível contratação. Imagine que um dos atacantes que estão no jogo pede ao zagueiro do time adversário para deixar passar um gol para que este atacante se destaque e impressione os olheiros. Proposta bizarra e surreal e, naturalmente, nunca antes vista. Tal combinação poderia até existir, intramuros, mas nunca chegaria ao conhecimento público exceto se... Se o zagueiro jogasse a farofa no ventilador.

Entrando na política de Taquaritinga do Norte, foi mais ou menos assim que, segundo o pré-candidato Jânio Arruda, o seu concorrente dentro do grupo Gravatinha, Jobson da Internet, agiu. Lembrando que Jânio expôs primeiro na rádio Comunidade, num programa de grande audiência, principalmente aquela audiência que não é aparente, que não se manifesta na live, como outros pré-candidatos, gente da mídia, de outras emissoras e portais, programa Cilas Tenório. E depois reafirmou noutra entrevista à rádio Filadélfia, de Pão de Açúcar. Segundo Jânio, o "homem da internet" teria proposto ao "liso" que este o acompanhasse em andanças pelo município para que ele, Jobson, ficasse conhecido do eleitorado, graças à companhia de Jânio, e dessa forma venceria uma pesquisa que seria feita, incluindo o nome do ex-prefeito Evilásio, para captar no eleitorado qual dos dois teria mais citações.

Relembrando que, naquela maratona de entrevistas, lá atrás, ano passado, foi dito por Jobson e por Evilásio que a definição da cabeça de chapa seria feita através de uma pesquisa. Onde ambos justificaram que a junção aconteceu porque foram "excluídos” em seus respectivos grupos. Jânio chamou essa fraquejada de Jobson (andar como dois pombinhos pelo município) de "molecagem", além de ter dito também que seu concorrente, interno e externo, estava com "conversa fiada" e "falsidade". Tal fato, segundo o ex-prefeito, encerrou qualquer tipo de conversa política com o pré-candidato calouro. Claro que o eterno adversário do grupo Calabar não deixou de "metralhar" também os três ex-prefeitos que se juntaram com Jobson, o Gravatinha Erivaldo Araújo e os Calabar Zeca Coelho e Evilásio. Sobre o "picolé de chuchu", foi dito que ele foi cassado em todas as instâncias do Brasil.

Fica patente nesse episódio folclórico envolvendo o "moderno" Jobson e o "antiquado" Jânio uma certa fraqueza do primeiro, muito ativo nas redes sociais, a todo momento apresentando adesões, pintando a pré-campanha como robusta em termos de estrutura. Fraqueza ainda mais acentuada se de fato Jânio tiver falando a verdade. E só há um meio de se duvidar das palavras dele, um desmentido veemente e desafiador da parte de Jobson, que até agora não surgiu. Nem precisa lembrar do ditado popular para essas circunstâncias. Além de se ajoelhar para Jânio, Jobson teria passado também um recibo de que o ex-prefeito é, no mínimo, uma trava na sua campanha, quase uma certeza de que não se viabiliza, porque vai atuar no mesmo campo de votos em que Jânio aposta. Sempre se apostou, até aqui, numa desistência de Jânio, numa debandada dos seus escassos apoiadores, na falta de "bombas" da sua pré-candidatura, mas o ex-prefeito tem apresentado uma resistência tenaz.

Talvez se não tivesse sido alvo de tanto deboche e desprezo, por suas derrotas e por sua idade, se tivesse havido mais habilidade da parte de Jobson no cortejo político, a velha raposa teria deixado a porta aberta para uma negociação. A ele não foi dada a possibilidade de uma pesquisa, como Evilásio teve. Ao adversário o tapete vermelho e a Jânio um picadeiro para ele servir de menestrel para a torcida das redes sociais. Evidente que ainda se desconfia se Jânio levará sua pré-candidatura para além das convenções, mas considerando seu tom nos microfones, aparentemente, a chance de Jobson pegar com o ex-prefeito a outra metade do mapa da mina não parece grande.

Se ainda assim conseguisse, haveria outro grande obstáculo: a presença dos dois ex-prefeitos, Zeca e Evilásio, com quem Jânio não quer conversa. Jobson, que está "pensando grande" nas redes sociais e entrevistas, mas minúsculo ao mendigar a companhia do ex-prefeito para formar um "recall" junto ao eleitorado teria de se livrar da dupla se houvesse o milagre da adesão de Jânio.

Do ponto de vista da geografia do eleitorado, a chapa de Jobson já tem a desvantagem de não ter um vice de Pão de Açúcar. Some-se a isso a dificuldade de Evilásio descer a serra para pedir o voto "daquele povo lá de baixo". Povo de uma localidade que “não tem condições" de ser cidade, conforme declaração do próprio Jobson, ou seja, não pode "pensar grande" como o pré-candidato tanto pede. Uma coisa é certa, Jânio está atendendo ao apelo marqueteiro da pré-campanha de Jobson, está pensando grande, segurando sua postulação, Evilásio pensando pequeno, venceu a pesquisa mas aceitou ficar na sub de um adversário histórico, condição que renegou em 2020 dentro do grupo Calabar, e o rapaz na internet pensando conforme a orientação marqueteira que recebe. Porque não há outra explicação para o suposto pedido de Jobson: foi uma operação tabajara. Evilásio poderia ter poupado o novo aliado desse constrangimento.


Gisonaldo Grangeiro, "cearense" de Pernambuco, agrestino do Polo, professor efetivo da Rede Estadual de Educação do Estado do Ceará e da Rede Municipal de Educação de Fortaleza.

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