Gritava
a militância na recepção de João da Costa no aeroporto do Recife, em
mais um capitulo da novela mexicana da sucessão municipal do Recife.
Estranho foi ver Humberto Costa ser lançado candidato a candidato
biônico, a prefeito do Recife em São Paulo, sob a influência do
mensaleiro José Dirceu. Por outro lado o governador Eduardo Campos,
deixou a impressão que não gostou nada de ter perdido momentaneamente o
controle total da situação e manda recados sifrados ao PT, numa
plantação de melancias.
Foto: Clemílson Campos/JC Imagem 
João da Costa, em dia de pop star, na chegada ao Recife:
“- Não vou submeter meu apoio a um ato de força!”
O colunista Ricardo Setti, muito apropriadamente, comparou o ato da
Executiva do Partido dos Trabalhadores, em impor Humberto Costa com o
candidato biônico a Prefeitura do Recife, as intervenções do Partido
Comunista da extinta União Soviética e ao AI-5, o ato dos militares que
governavam o Brasil em 1968, que dava poderes excepcionais ao presidente
da república, o General Costa e Silva, suspendendo as garantias
constitucionais.
Mais rasteiro o Deputado petista Fernando
Ferro, afirmou que a atitude da Executiva Nacional do PT em optar por
Humberto Costa, preterindo João da Costa, teria sido "um estupro".
Foto: Blog do Jamildo 
Ruidosos partidários do cassado João da Costa, no aeroporto dos Guararapes
Quando
regressou ao Recife, depois do golpe da Executiva nacional, João da
Costa foi recebido por uma numerosa e ruidosa militância no aeroporto
dos Guararapes, que bem ao estilo petista gritava palavras de ordem como
“Oi, Lula, decepção, em Recife você não manda não” ou “Golpe é
covardia, respeita a democracia”.
Na manhã desta sexta-feira (8),
o prefeito joão da Costa, concedeu entrevista ao programa Super Manhã,
com Geraldo Freire. Adiantou que deve mesmo recorrer ao Diretório
Nacional para rever a decisão da Executiva. Disse ainda que Humberto
ainda não o procurou para conversar e que espera que ele não procure tão
cedo.
Se tiver suas pretensões negada dentro do Partido, João da
Costa pode tentar abrigar-se numa decisão judicial, para se manter
candidato. Neste caso, para manter a candidatura de Humberto, o PT,
teria que expulsar João da Costa, para tirar-lhe a legenda, e a coisa ia
ficar ainda mais mal cheirosa.
Foto: Celso Calheiros/Especial para Terra
Humberto
Costa, ao lado do presidente do PT estadual, deputado Pedro Eugênio e
do ex-prefeito João Paulo, lançando sua candidatura a prefeito do
Recife, num clima de velório
Por estranho que
possa parecer Humberto Costa “lançou” sua candidatura a Prefeito de
Recife, na cidade de São Paulo, no tapetão doa Executiva Nacional do PT.
Sabendo que a militância local, que apoia majoritariamente João da
Costa o estava chamando de biônico, tentou rebater com argumentos vazios
e prepotentes. Primeiro disse que não poderia ser chamado de biônico,
pois tinha o apoio de Lula, como se o apoio de Lula fosse uma força
superior que superasse o vexame do “estupro” ao resultado da convenção
do partido.
Depois disse que não podia ser classificado de
golpista, pois, segundo ele, havia participado da resistência aos
governos militares, como se isso impedisse que ele, fosse beneficiado
por um ato semelhante aqueles produzidos pelas ditaduras. Basta lembrar
que Fidel Castro pegou nas armas para livrar Cuba do ditador Fulgencio
Batista e depois disso sentou-se na cadeira de ditador onde está a mais
de 50 anos.
Sabe-se perfeitamente que essa intervenção no Recife
estava sintonizada com o apoio do PSB, de Eduardo Campos, ao candidato
petista a prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad.
Ao que parece
que a indicação de Humberto, numa manobra de José Dirceu e a sua turma
da facção petista “Construindo um Novo Brasil”, antigo “Campo
Majoritário”, queria tirar o governador Eduardo Campos, do “controle” da
sucessão do Prefeito do Recife, de olho na futura sucessão estadual e
federal.
Foto : Eduardo Braga/SEI
Enquanto isso Eduardo Campos aparece no meio de um plantio de melancias. O que ele quer dizer com isso ?
A
direção nacional petista acusada de ditatorial e truculenta, parece
estar querendo medir forças com o governador Eduardo Campos, estão
“cutucando o capeta com vara curta”.
Eduardo parece não ter sido
consultado, ou se consultado, não concordou com o nome de Humberto
Costa, sua resposta foi o silencio após o anúncio da indicação.
Manifestou-se ruidosamente através do seu pau mandado, o presidente
estadual do PSB, Sileno Guedes, que também é Secretário da Articulação
Política do estado, comunicando que não “estava garantido
automaticamente o apoio dos socialistas aos petistas”.
Sileno
Guedes, que estava cotado para ser o vice-prefeito, indicado por
Eduardo, na chapa petista, foi mais além falando em entrevista à rádio
CBN:
"Ninguém está desmerecendo a importância do PT, mas o
partido entrou num processo autofágico e, se não tivermos cuidado, isto
pode contaminar os outros partidos da Frente Popular". E fez questão de
acrescentar, que não está descartada a possibilidade do PSB lançar um
candidato próprio a Prefeitura do Recife.

Os
quatro ases de Eduardo Campos: Tadeu Alencar, Danilo Cabral, Sileno
Guedes e Geraldo Júlio, todos do PSB, mais o curinga Maurício Rands, do
PT
Para dá visibilidade a este recado o
governador Eduardo Campos, foi da palavra à ação, e na tarde desta
quinta-feira, exonerou quatro secretários de Estado,
desincompatibilizando-os para ficarem em condições de ser o candidato
majoritário do seu partido para as próximas eleições> São eles: Tadeu
Alencar (Casa Civil), Danilo Cabral (Cidades), Sileno Guedes
(Articulação Política) e Geraldo Júlio (Desenvolvimento Econômico), além
do próprio Maurício Rands, que volta à Câmara dos Deputados.
Comenta
Jamildo no seu Blog que “É como se o governador colocasse quatro cartas
na mesa e dissesse que, se for preciso, pode levantar seu rei de
espadas”.
Os caciques petistas não estão gostando nada da forma
como Eduardo está comportando-se nesta situação. Imaginavam que Eduardo
estava vetando o nome de João da Costa para candidato, mas governador
queria era indicar o candidato petista, o primo de sua esposa, o fiel
escudeiro Mauricio Rands (PT) e o vice Sileno Guedes (PSB). Para ele, ou
tudo ou nada. Ou tem o controle total nas eleições municipais do
Recife, ou pula fora da aliança, e lança candidato próprio em Recife, e
se a coisa se radicalizar, talvez também em São Paulo.
Sem o
apoio de Eduardo, Humberto Costa vai ficar falando fino, sozinho e pode
até pode renunciar, transformando-se na viúva Porcina, “aquela que foi
sem nunca ter sido”.
O certo é que ainda muita água do Rio
Capibaribe vai passar por baixa da Ponte Princesa Isabel, até essa
novela mexicana acabar.
Charge: MIGUEL - Jornal do Comércio (PE)