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sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Ministério Público denuncia Klemerson Pipoca por uso de servidora fantasma e pede a cassação do mandato de vereador

 
 
O vereador Klemerson Pipoca (PSDB) está sendo denunciado pelo Ministério Público de Pernambuco em uma ação que apura supostos atos de improbidade administrativa. A ação foi protocolada nesta quinta-feira (01). Caso seja condenado, Pipoca poderá perder o mandato de vereador e ter os direitos políticos cassados.

Pipoca usava assessora parlamentar fantasma e ficava com parte do salário, diz MPPE


As investigações do Ministério Publico tiveram início em 08 de novembro de 2016, quando uma denúncia foi levada a conhecimento da ouvidoria do órgão. A alegação é de que o vereador de Santa Cruz do Capibaribe, Klemerson Pipoca, estaria cometendo uma suposta apropriação ilegal de grande parte do salário da assessora parlamentar Inácia Mayne Alves da Silva.

“Conforme foi denunciado, a Sra. INÁCIA fora nomeada em abril de 2016 para ser assessora do parlamentar supracitado, e, em razão de seu cargo, deveria receber o quantitativo de pouco mais de R$ 1.200,00 (mil e duzentos reais) mensais, a título de remuneração.

Ocorre que, por meio de acordo prévio com o vereador, a referida servidora deveria repassar uma parte de seu salário, a depender do horário que permanecesse trabalhando. Se a referida servidora optasse por dar expediente diário de 8h até as 13h, receberia apenas R$ 500,00 por mês de salário, repassando o restante ao parlamentar. Por sua vez, caso escolhesse não dar o expediente diário, poderia a Sra. INÁCIA simplesmente receber R$ 200,00 para bater o ponto apenas uma vez no mês, ocasião em que ela receberia o cheque do salário de assessora, tiraria sua parte e repassaria o restante para as mãos do parlamentar. Todo esquema fraudulento fora denunciado por meio do sistema da Ouvidoria do MPPE em 08.11.2016”, diz o trecho da denúncia.



Gravação que pode comprovar o suposto esquema foi levada a tribuna da Câmara pelo vereador Ernesto Maia em 2016


Cinco dias antes da denúncia envolvendo o vereador Pipoca ser apresentada a ouvidoria do MP, o vereador Ernesto Maia (PT) já havia revelado a existência de uma gravação onde a servidora Inácia Mayne admitia repassar devolver a maior parte do seu salário ao vereador Pipoca e revelou que não dava expediente na Câmara.

De acordo com as investigações do Ministério Público, as gravações foram repassadas ao vereador Ernesto Maia pelo ex-vereador Rui Medeiros e foram produzidas por uma agente de saúde que reside vizinho a suposta servidora Inácia Mayne, em São Domingos, distrito de Brejo da Madre de Deus. Rui Medeiros é apontado como testemunha na ação do Ministério Público.
A gravação em que o suposto esquema foi revelado foi publicada na mesma semana pelo Blog do Ney Lima.

Degravação utilizando-se o termo MNI (Mulher Não Identificada)


M.N.I.: Foi quem que fez acordo?
Inácia: Marinaldo.
M.N.I.: Mas quem foi que te chamou lá pra conversar, foi Pipoca ou Marinaldo?
Inácia: Pipoca.
M.N.I.: Em?!
Inácia: Pipoca.
M.N.I.: E porque tu não pediu mais dinheiro a ele?
Inácia: Porque se ele fosse me pagar a mais, [fala inaudível] R$ 500 (quinhentos) por mês, eu ia ter que ir pra lá ficar até 01 (uma) hora da tarde. Num tem? O cara pegar de 08 (oito) até 01 (uma), ai não dá pra mim ganhar só R$ 500 (quinhentos), tá entendendo?
M.N.I.: Mas ele chamou tu pra ficar no lugar de Marinaldo, Marivaldo?
Inácia: Foi… Enquanto… É… Até, até novembro.
M.N.I.: Ai tu só assina?
Inácia: É… Porque se for pra eu ficar lá, tinha que ficar até 01 (uma) hora da tarde pra ganhar R$ 500 (quinhentos), ai não dá pra mim, né? Pra eu ficar de 08 (oito) até 01 (uma), ai chegar em casa, fazer comida, limpar a casa, ai vai adiantar de quê? Não vai dá tempo de eu costurar nada! E eu pelo menos, só ganhando R$ 200 (duzentos), eu vou lá, assino o cheque e vou no banco e tiro o dinheiro.
M.N.I.: E entrega?
Inácia: É, a ele.
M.N.I.: E quando tu chega lá na fila, Marivaldo já tá, é?
Inácia: Quem? Não… É que eu pego a ficha e vou lá no banco, ai entrega a coisa, a Pipoca o dinheiro. Porque se fosse pra eu… eu ganhar, ele me pagava um salário, só que eu tinha que ficar até… pra mim pagar R$ 400 (quatrocentos) e pouco como voluntária, tá entendendo? Pra eu ficar na Câmara até 01 (uma) hora, igual mãe.
M.N.I.: Mas não ganhou nem 01 (um) salário…
Inácia: E ele mesmo já disse que já era pra ter aumento pra o povo da Câmara já ter aumentado o dinheiro de mãe, e mãe faz muita coisa lá. Aí tão ajeitando pra aumentar o ganho dela.
M.N.I.: Pipoca é sabido! Ele tá… aí ele bota…
Inácia: Aí pronto. Aí ele disse que quando fosse em janeiro, me dava um emprego se Edson Vieira ganhando. Ele disse:” Edson Vieira vai ganhar, aí seu emprego é garantido, mas por enquanto eu não posso pagar um salário.” Aí eu vou esperar, né? Se sair um emprego é bom.
M.N.I.: Agora, será que tu tá como secretária dele? Como é?!
Inácia: É! Tipo, secretária. Aí eu só vou lá de vem em quando pra “tapear”, porque ele não “vévi” lá, ele vai 01 (uma) vez na semana lá, aí eu vou lá, só “tapeio” , e vou embora… Aí o povo, né? Sabe que ele não “vévi” lá.

“O áudio demonstra de maneira clara o esquema montado pelo parlamentar em conluio com a servidora: acordou-se que a Sra. INÁCIA não precisaria ir à Câmara dos Vereadores, limitando-se a receber o salário por meio de CHEQUE, SACANDO no banco toda remuneração, recolhendo a importância de R$ 200,00 e repassando imediatamente todo restante ao parlamentar.”, diz parta da denúncia do MPPE.

O Ministério Público afirma que os detalhes demonstrados na gravação se confirmaram ao longo das investigações, que duraram quase três anos. Entre os pontos estão a existência do assessor Marivaldo Andrade e o detalhe de que a mãe Inácia Mayne trabalhava efetivamente na Câmara.

Depoimentos de servidoras confirmaram que assessora nomeada por Pipoca não frequentava a Câmara

Durante as investigações, o Ministério Público colheu o depoimento de duas servidoras frequentes na Câmara de Vereadores de Santa Cruz. Uma ocupava a função de recepcionista na época dos fatos e a outra era servidora do protocolo da Câmara.

Nos depoimentos, o promotor de justiça mostrou uma foto de Inácia Mayne Alves da Silva, assessora do vereador Pipoca. As duas servidoras disseram que não se recordavam de já terem visto a Inácia Mayne na Câmara de Vereadores.

Pedido de perda do mandato e dos direitos políticos


No processo apresentado nesta quinta-feira (01), o Ministério Público pede a condenação do vereador Klemerson Pipoca por improbidade administrativa e em consequência, a perda do mandato de vereador e a suspensão dos direitos políticos, além de ressarcimento aos cofres públicos.

O juiz ainda não analisou o processo. O vereador Klémerson Pipoca ainda não foi notificado.

Matéria extraída do Blog de Ney Lima

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