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sexta-feira, 4 de abril de 2014

O FIM DA ERA EDUARDO CAMPOS



A CAMPANHA - Eduardo Campos chegou ao Governo do Estado em 2006, tendo começado a campanha desacreditado e aparecendo no “rabo da fila” nas primeiras pesquisas de intenção de voto divulgadas naquele ano.

O favorito para vencer a eleição era Mendonça Filho (DEM), que tinha sido vice de Jarbas Vasconcelos (PMDB) sete anos e estava com a caneta na mão, sendo apoiado pela maioria dos prefeitos do Estado. Mas os ares da mudança começaram a soprar e Humberto Costa (PT), que tinha sido ministro de Lula, começou a ameaçar o favoritismo dos governistas.

Eduardo Campos escolheu bem o seu vice, João Lyra, ex-prefeito de Caruaru e conseguiu a adesão do deputado federal Inocêncio Oliveira, fortalecendo a sua chapa no Sertão e retirando um aliado de peso de Mendoncinha.

O maior capital político do socialista era ser neto de Miguel Arraes, ter participado dos governos do avô e se apresentar como herdeiro dos votos da maior liderança à esquerda já surgida em Pernambuco.

Quando começou a campanha na televisão a imagem de Humberto Costa foi destroçada no programa eleitoral de Mendonça Filho, por conta de um escândalo denunciado na sua passagem pelo Ministério da Saúde. O petista ficou acuado, começou a cair e abriu passagem para que Eduardo chegasse ao segundo turno.

Derrotado, Humberto anunciou de pronto seu apoio a Eduardo Campos, seus eleitores votaram maciçamente no socialista no segundo turno e o democrata foi “massacrado” nas urnas perdendo a eleição por uma diferença de mais de 1 milhão e 800 mil votos.

O GOVERNADOR – Na cadeira de governador, Eduardo manteve a ligação que Arraes sempre teve com os movimentos populares, direcionou a gestão para o interior e realizou grandes obras nas áreas de infraestrutura, agricultura, saúde e educação.

Estradas foram recuperadas e outras construídas, na Região Metropolitana o gestor em quatro anos ergueu quatro hospitais, para desafogar o Restauração. As escolas que estavam caindo aos pedaços foram reformadas e grandes reservatórios foram construídos em municípios polos, como a Barragem do Cajueiro, em Garanhuns, que tirou a cidade do problema crônico de desabastecimento d´água.

Aliado de Lula presidente, o governador pernambucano conseguiu muitos recursos em Brasília e alavancou a economia do Estado, investindo principalmente no Complexo Portuário de Suape. Pernambuco gerou empregos como nunca e passou a crescer num ritmo maior do que os outros estados nordestinos.

A REELEIÇÃO - Com essa situação favorável a campanha de reeleição de Eduardo foi um passeio e ele humilhou o adversário Jarbas Vasconcelos nas urnas, tendo vencido a disputa por uma diferença de mais de três milhões de votos. Em algumas cidades, como aconteceu em Garanhuns, o socialista obteve mais de 90% da preferência dos eleitores.

O neto de Arraes fez um segundo mandato tão bom quanto o primeiro. Prosseguiu reformando e construindo hospitais, melhorando as escolas, aumentando a arrecadação do Estado para investir e pondo em prática algumas ideias inovadoras que tornaram sua gestão ainda mais simpática.

Um exemplo é o programa “Ganhe o Mundo”, da Secretaria de Educação, que possibilita a estudantes pobres da rede pública fazer intercâmbio no exterior, tendo oportunidade de conhecer países como o Chile, os Estados Unidos ou o Canadá. Um sonho impossível para muitos jovens, tempos atrás, virou uma grande realidade.

O Governo Socialista também, no primeiro e segundo mandato, investiu na informatização das escolas, distribuiu computadores e tablets com professores e alunos, criou e ampliou as escolas de tempo integral e construiu educandários modelos com cursos técnicos em cidades de porte médio da Região Metropolitana, Mata, Agreste e Sertão.

ESTILO – Eduardo é inteligente, impetuoso e como político e administrador foi imprimindo uma marca, com seu próprio estilo de trabalho. A impressão que se tem é que ele repetiu alguns gestos de Lula, outros de Arraes e usou ainda alguns métodos do velho adversário Jarbas.

O peemedebista foi um bom governador e usou o marketing como ninguém tinha feito antes. O socialista foi além. Fez, mas foi ainda mais eficiente ao mostrar o que fez.

Simpático, com um discurso sedutor, o neto de Arraes praticamente aboliu a oposição em Pernambuco. Tem quase todos os prefeitos e deputados ao seu lado, trouxe até Jarbas Vasconcelos para debaixo dos seus pés, virou Soberano e Senhor e o nosso Estado ficou pequeno diante de tanta capacidade de articulação política e vontade de fazer as coisas acontecerem.

Arraes sonhou ser presidente do Brasil, mas o golpe militar não permitiu que o velho líder realizasse seu projeto nacional. O seu neto, ainda moço, com um partido que está organizado em todos os Estados, que tem governadores, prefeitos e deputados em todas as regiões, está na luta para chegar ao Palácio do Planalto.

Para chegar a este ideal rompeu com os antigos aliados. Critica duramente um governo do qual fez parte. Numa jogada de mestre atraiu a ex-senadora Marina Silva para ser sua vice na chapa.

Por enquanto ainda não conseguiu índices expressivos nas pesquisas. Está bem abaixo de Dilma (PT) e um pouco atrás do senador Aécio Neves (PSDB). Mas não para de se mexer, obtém mídia nos principais veículos de comunicação do Brasil e espera com alguns bons minutos de televisão virar o jogo e garantir presença num eventual segundo turno e depois vencer a eleição.


CORONEL - Os que combatem Eduardo Campos o acusam de ser um “coronel moderno”. Dizem que ele não admite ser contrariado e que para chegar aos seus objetivos é capaz de se aliar com qualquer um. Só não está com o ruralista Ronaldo Caiado no seu palanque porque Marina não deixou. O socialista, segundo já divulgou a imprensa pernambucana, fica irritado quando lhe atribuem este rótulo de coronel.

No Sul e Sudeste, não se sabe se com alguma razão ou por preconceito, alguns já compararam Eduardo a Fernando Collor, que saiu do pequeno Estado de Alagoas para ser presidente da República.

A partir da próxima semana o neto de Miguel Arraes não será mais governador. Terá renunciado ao cargo para concorrer à presidência da República. A Era Eduardo Campos em Pernambuco simplesmente acaba, como um dia passou a de Marco Maciel, Roberto Magalhães, Joaquim Francisco, Arraes e Jarbas Vasconcelos.

A disputa vai acontecer agora no plano nacional. Em Pernambuco, até o final de dezembro de 2014, quem ficará com a chave do cofre e a caneta se chama João Lyra Neto.

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